Dedicamos esta página a culinária do Rio Grande do
Sul
Queremos afirmar com segurança
que a culinária gaúcha não se limita
ao churrasco, ao charque e alguns pratos “campeiros”.
A cozinha do Rio Grande do Sul é muito rica em ingredientes
e formas de mistura-los, propiciando uma culinária
variada e muito apreciada.
È
certo que a cozinha típica se baseia em ingredientes à base
de carne, principalmente vacum e ovino, além de
arroz, feijão e aipim.
Desde o tempo dos primitivos habitantes do atual território
do Rio Grande do Sul e pelo que a historia nos conta,
a alimentação era baseada na caça
e na pesca. As tribos indígenas que povoavam estas
terras em movimentos migratórios característicos
de seu modo de vida semi-nômade eram a dos índios
guaranis que ocupavam as margens da lagoa dos Patos,
o litoral norte e as bacias dos rios Jacuí e Ibicuí incluindo
a região noroeste; os pampeanos, que ocupavam
a região sul e sudoeste e os gês, talvez
os mais antigos habitantes no lado oriental do rio Uruguai.
No século XVIII, o Rio Grande do Sul era uma
região disputada entre portugueses e espanhóis.
A ocupação iniciou-se de fato com os milicianos,
que eram tropeiros de São Paulo e Minas Gerais,
sendo reforçada com a vinda de casais açorianos
na década de 1750. Essa imigração
açoriana foi promovida pela Coroa Portuguesa,
para estabelecer o domínio português na
região.
Os espanhóis introduziram a criação
de gado, que rapidamente tornou-se a economia predominante
no Rio Grande do Sul. A população se concentrava
nos pampas, tendo havido uma fusão de costumes
espanhóis, portugueses e indígenas, que
deram origem ao tipo regional gaúcho. Embora o
gaúcho fosse mais português que espanhol,
a influência cultural vinda dos países vizinhos
tornaram os gaúchos dos pampas bastante hispanizados,
a ponto de falarem um dialeto que misturava elementos
espanhóis e portugueses.
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É herança indígena
na cozinha gaúcha a utilização da mandioca
e de seus derivados (farinha, tapioca, beju, pirão,
mingau); o uso do milho assado, cozido e seus derivados (canjica,
pamonha, pipoca, farinha). O aproveitamento, de plantas nativas
(abóbora, amendoin, cara, batata-doce, banana, ananaz).
O cozimento dos alimentos na tucuruva (trempe de pedras),
no moquém (grelha de varas) para assar carne ou peixe.
Também o preparo do peixe assado envolvido em folhas;
moqueca e paçoca de peixe ou de carne (feita no pilão)
e o uso de bebidas estimulantes como o mate e o guaraná.
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Da
miscigenação indígena,
portuguesa e espanhola, do homem do campo surge a chamada
cozinha da Campanha, cujos principais componentes são
as carnes (vacum, ovino) grelhadas, no espeto e no forno.
O arroz “carreteiro” feito de charque, o espinhaço
de ovelha ensopado, os pasteis, o empadão, o feijão, “cabo-de-relho” (sobras).
Pães caseiros (ao forno), pão “catreiro” ou “de
pedra” (aquecidos sobre pedra ou chapa quente), roscas
de milho, “farinha de cachorro”, ambrosia de
pão, doces de “panela” (marmelada, e em
calda) e a como bebida, o chimarrão.
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Com
a mesma origem porem com característica
mais urbana, surge a cozinha da região Missioneira,
composta de carnes (vacum, ovino) assadas no forno, no espeto,
grelhadas e fritas na panela, sopa de lentilhas, sopa de
cevadinha, feijoada, “puchero”, “gringa” (moranga)
caramelada, pirão de farinha de milho, canja, couve
com farofa, matambre com leite, fervido de espinhaço
de ovelha com aipim. Canjica, guizado de milho, pasteis,
empadão, revirado de galinha, revirado de sobras,
lingüiça frita, paçoca de charque, galinha
assada. Pão de forno, pão de borralho, bolo
frito, biscoitos, pão-de-ló, geléia
de mocotó, doce de jaraquatia, pêssego com arroz,
arigones, tachadas (marmelo, pêssego, pêra),
doce de laranja azeda cristalizada, doce de leite, rapadura
de leite, gemada com leite, bolos e as bebidas: chimarrão,
mate doce, mate com leite.
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A culinária portuguesa utilizava
as especiarias da Índia como o cravo, a canela e a
noz-moscada, criou novos pratos, adaptou outros e conservou
algumas receitas tradicionais como a bacalhoada, o caldo
verde, pasteis, empadas, feijoada, cozido, fatias douradas,
coscorões, pão-de-ló, papo-de-anjo,
sonhos, pães, compotas, marmeladas, frutas cristalizadas
e licores.
A contribuição das correntes
migratórias de alemães, iniciadas por volta
de 1824 e posteriormente de italianos a partir de 1876, é notável
em diversas regiões do Rio grande do Sul com a introdução
de novos hábitos gastronômicos originários
das suas regiões.
Os imigrantes alemães vinham principalmente
da Renânia, especificamente do “Hunsrück” quadrilátero
formado pelos rios Reno, Mosela, Nahe e Saar. Já os
italianos provinham das regiões do Piemonte, da Lombardia
e do Veneto.
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Entre as receitas registradas,
destacam-se alguns tipos de sopa Uma sopa considerada típica,
a "Schwar-sauer" (sopa de molho pardo) era servida
na festa chamada do Quebra-Caco, que em tempos antigos era
realizada na sexta-feira que antecedia o dia dos casamentos.
Uma outra sopa consumida era a de cerveja com passas, "Biersuppe",
feita com sobras da cervejaria ou de festas, servida antes
da comida cotidiana; a sopa de vinho tinto, "Sagusuppe
mit Rotwein" e a sopa de soro de manteiga, "Buttermilchsuppe".
O marreco recheado, Gefullte ente, se encontra ainda hoje
presente em muitas reuniões familiares e no cardápio
de festas típicas que são programadas para
revitalizar a memória cultural germânica, como
a Oktoberfest. A Língua de Boi Agridoce, "Suss-sauer
Zunge", também usado em festas, era um exemplo
típico do que faziam os alemães associando
o sal e o açúcar numa mesma receita. Das receitas
mais sofisticadas de origem alemã, foram citadas o
Chucrute, "Sauerkraut" e o bolo de condimentos "Gewurzkuchen,
feito sempre na época de Natal. Aos alimentos originais
dos imigrantes – batatas, carne de porco, legumes,
trigo - aqui foram contrapostos o milho, o arroz, a mandioca,
o fubá, o cará, o feijão e a carne de
gado, presentes na agricultura luso-brasileira e cabocla.
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Já os imigrantes italianos aportaram
novas maneiras de preparar certos alimentos, como o galeto
frito ou assado, diversas receitas de massas, molhos variados à base
de tomate, derivados do leite e farinha de trigo, a polenta
mole com molho e a polenta frita, a fortaia, alguns tipos
de embutidos como o salame italiano e a copa, também
nos derivados do leite como alguns tipos de queijos, as
carnes de caça como a perdiz com polenta ou massa,
e assim por diante.
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