O mundo em que vivemos

A visão do mundo é algo pessoal e transferível. Cada ser humano possui uma visão própria, do seu mundo, do mundo dos outros, do mundo num contexto global e até do Universo. Como seres humanos, vivemos confinados num espaço terreno, nos movimentando nesse espaço de acordo às nossas crenças e realidades. As afinidades ou interesses, nos aglomera em grupos e nesses grupos passamos a vivenciar as nossas emoções.

Família, amigos, colegas, vizinhos e conhecidos, nos prendem de tal forma no cotidiano que negamos à nossa mente a oportunidade de ir além do mundo que nos rodeia.

Embora tomemos conhecimento de fatos que acontecem em diversas partes do planeta, os sentimos muito distantes e como não podem nos afetar diretamente, seguimos adiante no nosso mundo.

Em geral nos dedicamos a trabalhar porque precisamos nos sustentar, nos divertimos para fugir à rotina do trabalho, entramos assim num círculo de fazer coisas com derivações que atendam às nossas necessidades. Seja para cultivar o nosso ego, seja para satisfazer o ego dos mais próximos e assim vamos entrando num mundo de competitividade que muitas vezes extrapola o nosso desejo pessoal. Embarcamos numa corrida que não conseguimos deter.

Nessa corrida cremos ter encontrado atalhos que nos conduzirão mais rapidamente ou com menos dificuldade ao que ambicionamos e nesses atalhos perdemos o rumo, entrando em labirintos que nos confundem e trazem todo tipo de desgostos, tristezas, desespero, conflitos e poucas ou nenhuma alegria. Em quanto estamos participando dessa corrida enxergamos um pouco à nossa frente e para os lados, mas é tão frenética a atividade que perdemos a visão do todo e nos concentramos apenas à nossa volta.

Nesse contexto que vamos construindo, passamos a tolerar-nos com pequenas desculpas, em coisas que fazemos que sabemos não serem certas, toleramos pequenos deslizes de comportamentos próprios e alheios, vamos aos poucos desistindo de sermos e agirmos conforme o nosso coração sente para submeter-nos a imposições e convenções sociais, aumentando a competitividade para termos mais e melhor.

O nosso mundo se torna estanco, muitas vezes resumido a um único quadrante e perdemos completamente a visão da esfera em movimento. Temos consciência do certo e do errado, mas subestimamos as conseqüências e nos deixamos levar pela lama em correnteza.

Passamos com muita facilidade a conviver e aceitar a corrupção, a desonestidade, o “jeitinho”, nos submetemos ao ganho e prazer material em detrimento do conforto e conquista espiritual.

Aceitamos e até escolhemos como líderes, pessoas sem escrúpulos, tolhidas espiritualmente, vítimas da mesma corrida em que participamos. A nossa atenção é atraída pelos noticiários de desastres, de safadezas, de intrigas, maldades, injurias e apenas temos a capacidade de emitir um que outro comentário sem tomar iniciativas que nos mantenham firmes nas nossas convicções.

Assistimos a programas de TV sem conteúdo enriquecedor, nos deliciando com cenas de violência, sexo, baixaria, maus costumes, deboches, e uma série de pichações ao nosso ser, perdemos o respeito a nós mesmos.

Não há falso moralismo, nem “caretice”, apenas autenticidade com respeito, criatividade com dignidade. Não estamos aqui para julgar, nem para dar lição de moral, cada um é dono de si mesmo, mas paremos um pouco para refletir. Qual o espaço que ocupamos neste mundo? Qual a tarefa que temos a cumprir e que motivou a nossa existência aqui e agora? Ninguém pede sacrifícios ou que nos privemos de nossos gostos pessoais, mas coloquemos um pouco de respeito e dignidade nas nossas atitudes, respeitemos o espaço que é do Universo, da Natureza, aonde fomos “convidados” a passar uma temporada.

Não precisamos nos unir a um grupo religioso, ou tornar-nos monges, ou professar uma crença alheia, basta que coloquemos em ordem o nosso discernimento e enxerguemos o mundo com um sentido comunitário.

As diferenças sociais fazem parte da humanidade, pois o Universo é feito de opostos, na dimensão da nossa existência é a dualidade que nos orienta. Fogo, terra, ar e água. O dia e a noite, o frio e o calor, o seco e o molhado estão na Natureza. O rico e o pobre, a doença e a saúde, o prepotente e o humilde, o calmo e o nervoso, estão no ser humano. Adquirir sabedoria para manter o equilíbrio entre os opostos é um ótimo objetivo de vida. Não precisamos nos colocar em uma das extremidades, basta se manter eqüidistante e absorver os benefícios das qualidades de cada, sem julgar, mas tomando partido do que nos faz bem ao coração e à alma, pois do contrário vamos ficar sempre “em cima do muro”.

Se a sua tarefa é gerar riqueza, faça-o com amor, dignidade e respeito e terá abundancia plena e gratificante. Se a sua tarefa é o sacrifício pelo próximo, faça-o com amor, dignidade e respeito e sua missão será maravilhosa. Se você curte se sentir e ser pobre, faça-o com amor, dignidade e respeito e será um pobre feliz. Mas antes de empreender qualquer uma dessas missões ou qualquer outra que lhe cair bem, pense e compreenda o verdadeiro significado do Amor, da Dignidade e do Respeito.

Não é bom extrapolar os limites da sua própria tolerância, com certeza quando isso acontecer você sairá seriamente machucado. Não embarque em experiências vividas por outros, ouça, analise, mas viva a sua própria experiência.

A raiz do mal e do bem é a mesma, quem decide o rumo é você mesmo. Não venha com essa de “não tive opção” ou “fui obrigado” ou ainda: “não tive oportunidade”. Você nasceu com livre arbítrio e é você quem determina as suas opções, é você que cria as suas oportunidades. As circunstancias do meio em que você se encontra é que tem um peso fundamental nas suas escolhas, mude seu meio, altere seu foco e novos caminhos lhe serão mostrados.

Acredite, você é único ser neste mundo que pode escolher a sua própria realidade. Não vai ser feliz eternamente, porque não pode viver ignorando seu meio e seu entorno, mas com certeza terá uma vida mais plena e satisfatória, com mais e melhores momentos de satisfação e alegria.

Pare, reflita, deixe seu orgulho de lado, peça ajuda, mas não continue ignorando o chamado do Universo, para uma vida melhor.

Julio Corullón


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